quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Os opositores da Doutrina Espírita

“O Espiritismo proclama a liberdade de consciência como direito natural; reclama-a para os seus adeptos, do mesmo modo que para toda a gente. Respeita todas as convicções sinceras e faz questão da reciprocidade.” [1]
“De todas as liberdades, a mais inviolável é a de pensar, que abrange a de consciência. Lançar alguém anátema sobre os que não pensam como ele é reclamar para si essa liberdade e negá-la aos outros, é violar o primeiro mandamento de Jesus: a caridade e o amor do próximo.” [2]

Os seguidores de qualquer religião ou ausência dela podem ter suas ideias confrontadas por quem pensa diferente. A divergência saudável, baseada em argumentos, impele para a frente, pois nos faz aprofundar e rever nossas convicções, oportunizando aprendizado e evolução. Todavia, há a divergência, especialmente em questões religiosas, que ruma para o ataque imotivado às ideias de quem pensa diferente, a qual não traz nenhuma chance de diálogo. Afastemo-nos de tais embates, respondendo com o exemplo positivo.

A este respeito, Allan Kardec pondera [3]: “O Espiritismo se dirige aos que não creem ou que duvidam, e não aos que têm uma fé e aos quais esta fé basta; não diz a ninguém que renuncie às suas crenças para adotar as nossas, e nisto ele é consequente com os princípios de tolerância e de liberdade de consciência que professa. (...) Acolhei prontamente os homens de boa vontade; dai luz aos que a buscam, pois não tereis êxito com os que julgam possuí-la; não violenteis a fé de ninguém, nem a do clero, nem a dos laicos, já que vindes semear em campo árido; ponde a luz em evidência, a fim de que a vejam os que quiserem ver; mostrai os frutos da árvore e dai a comer aos que têm fome, e não aos que se dizem fartos. Se membros do clero vierem a vós com intenções sinceras e sem pensamentos dissimulados, fazei por eles o que faríeis pelos vossos outros irmãos: instrui os que pedirem, mas não busqueis trazer à força os que imaginam que a sua consciência esteja empenhada em pensar de modo diverso do vosso; deixai-lhes a fé que têm, como quereis que vos deixem a vossa; mostrai-lhes, enfim, que sabeis praticar a caridade segundo Jesus.”

O Bem praticado ao próximo e a si mesmo deve ser a finalidade para a qual todos devem convergir, sigam ou não movimentos religiosos. Diferenças de visão têm de ficar em segundo plano. Os versículos abaixo evidenciam isso:

Mateus 22:09-13 e Marcos 12:28-31
“Mestre, qual é o grande mandamento da Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo semelhante a este é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os profetas.”

I Coríntios, 13:13
“Mas agora permanecem estas três: a fé, a esperança, a caridade; porém a maior destas é a caridade.”

Tiago 2:26
“Pois assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta.”

Romanos 03:29-30
“Porventura Deus só o é dos judeus? Não o é também dos gentios? Sim, ele o é também dos gentios, se é que realmente Deus é um, o qual pela fé justificará os circuncisos, e pela mesma fé justificará os incircuncisos.”

Romanos 10:12-13
“Não há distinção entre judeu e grego; pois o mesmo Senhor o é de todos, rico para com todos que o invocam; porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo.”

O apóstolo Paulo evidencia, em I Coríntios, 13:13, que a caridade é mesmo superior à fé [4]. Tiago aponta que a fé, não seguida de obras, é morta, estéril; aponta, também, no capítulo 02, versículo 24 de sua Carta, que “(...) é pelas obras que o homem é justificado, e não somente pela fé”. Nos versículos supracitados de Mateus e Marcos, Jesus indica que é o amor a Deus e ao próximo que nos permite evoluir. E Paulo, nos trechos acima destacados de sua carta aos Romanos, afirma que Deus é o Pai de todos, e não apenas de um povo ou dos que seguem um determinado credo.

Na obra “O que é o Espiritismo” [5], o Codificador da Doutrina Espírita assevera, se dirigindo a um opositor cristão que abraça crença distinta da Espírita: "Crede, pois, em tudo que vos aprouver, mesmo na existência do diabo, se tal crença vos puder tornar bom, humano e caridoso para com os vossos semelhantes. O Espiritismo, como doutrina moral, só impõe uma coisa: a necessidade de fazer o bem e evitar o mal. É uma ciência de observação que, repito, tem consequências morais, que são a confirmação e a prova dos grandes princípios da religião; quanto às questões secundárias, ele as abandona à consciência de cada um.
(...)
Apresento claramente as questões seguintes, a quantos combatem o Espiritismo, sob o ponto de vista de suas consequências religiosas:
1.ª Quem terá melhor quinhão na vida futura — aquele que não crê em coisa alguma, ou aquele que, crente das verdades gerais, não admite certas partes do dogma?
2.ª O protestante e o cismático serão confundidos na mesma reprovação que o ateu e o materialista?
3.ª O que não é ortodoxo, no rigor da palavra, mas faz o bem que pode, que é bom e indulgente para com o próximo, leal em suas relações sociais, deve contar menos com a salvação, do que aquele que crê em tudo, mas é duro, egoísta e baldo de caridade?
4.ª Qual terá mais valor aos olhos de Deus: a prática das virtudes cristãs sem a dos deveres da ortodoxia, ou a destes últimos sem a da moral?"

Por fim, no intuito de buscar abrandar o coração dos opositores da Doutrina Espírita, bem como evitarmos qualquer sintonia na doentia vibração da desavença e contra-ataque, recomenda-se a Prece Pelos Inimigos do Espiritismo [6]:

“Senhor, tu nos disseste pela boca de Jesus, o teu Messias: ‘Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça; perdoai aos vossos inimigos; orai pelos que vos persigam.’ E ele próprio nos deu o exemplo, orando pelos seus algozes.
Seguindo esse exemplo, meu Deus, imploramos a tua misericórdia para os que desprezam os teus sacratíssimos preceitos, únicos capazes de facultar a paz neste mundo e no outro. Como o Cristo, também nós te dizemos: ‘Perdoa-lhes, Pai, que eles não sabem o que fazem.’
Dá-nos forças para suportar com paciência e resignação, como provas para a nossa fé e a nossa humildade, seus escárnios, injúrias, calúnias e perseguições; isenta-nos de toda ideia de represálias, visto que para todos soará a hora da tua justiça, hora que esperamos submissos à tua vontade santa.”



Leia, também, neste blog, as postagens “Amar os inimigos”, “Amar o Próximo”, “Hermenêutica, Exegese e Espiritismo”, “A Prece”, “A Fé” e “Sintonia espiritual”.


Bons estudos!
Carla e Hendrio


Referências:

[1] KARDEC, Allan. “Obras Póstumas”. 34ª ed. Rio de Janeiro: RJ, FEB: 1991. Primeira Parte. "Ligeira resposta aos detratores do Espiritismo".
[2] KARDEC, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. 2ª ed. de bolso. Rio de Janeiro: RJ, FEB: 1999. Capítulo XXVIII, item 51.
[3] KARDEC, Allan. “Revista Espírita de Dezembro de 1863”. 1ª Edição. Rio de Janeiro: RJ, FEB: 2004. “Elias e João Batista – Refutação”.
[4] KARDEC, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. 2ª ed. de bolso. Rio de Janeiro: RJ, FEB: 1999. Capítulo XV, item 7.
[5] KARDEC, Allan. “O que é o Espiritismo”. 26ª ed. Rio de Janeiro: RJ, FEB: 2001. Capítulo I, Terceiro diálogo: o Padre.
[6] KARDEC, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. 2ª ed. de bolso. Rio de Janeiro: RJ, FEB: 1999. Capítulo XXVIII, item 52.


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