domingo, 5 de julho de 2009

Simples e Ignorantes (1)

Segundo os Espíritos da Falange do Consolador Prometido, em resposta à questão 115, proposta pelo Codificador, em "O Livro dos Espíritos" (designado no presente texto como LE), “Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber. A cada um deu determinada missão, com o fim de esclarecê-los e de os fazer chegar progressivamente à perfeição, pelo conhecimento da verdade, para aproximá-los de Si. Nesta perfeição é que eles encontram a pura e eterna felicidade. Passando pelas provas que Deus lhes impõem é que os Espíritos adquirem aquele conhecimento. Uns, aceitam submissos essas provas e chegam mais depressa à meta que lhes foi assinada. Outros, só a suportam murmurando, e, pela falta em que desse modo incorrem, permanecem afastados da perfeição e da prometida felicidade.”

A expressão “sem saber”, utilizada pelos Espíritos nessa assertiva é explicada por Kardec no livro "O Céu e o Inferno", Primeira Parte, Capítulo VIII, item 12, como sendo “sem conhecimentos nem consciência do bem e do mal, porém, aptos para adquirir o que lhes falta.”

Além de simples e ignorantes, os Espíritos desfrutam do livre-arbítrio (LE 121), podendo escolher por si mesmos o bem ou o mal.

Aqueles que sempre seguiram o caminho do bem, igualmente necessitam das experiências corporais, para terem o mérito da evolução (LE 133) e conhecerem o bem e o mal (LE 634). Não estão isentos dos sofrimentos da vida corporal, porém, chegam mais rapidamente ao fim almejado (LE 133-a).

Aqueles que escolheram o caminho do mal, não ficarão eternamente nele, pois Deus não criou ninguém destinado ao mal eterno. Nas palavras de São Luís, à questão 1006 de "O Livro dos Espíritos", “apenas os criou a todos simples e ignorantes, tendo todos, no entanto, que progredir em tempo mais ou menos longo, conforme decorrer da vontade de cada um. Mais ou menos tardia pode ser a vontade, do mesmo modo que há crianças mais ou menos precoces, porém, cedo ou tarde, ela aparece, por efeito da irresistível necessidade que o Espírito sente de sair da inferioridade e de se tornar feliz.”

É importante ressaltar que o Espírito, em sua jornada evolutiva, não precisa passar pela fieira (experiência pela qual alguém tem de passar) do mal, e sim da ignorância (LE 120).

Em "O Céu e o Inferno", capítulo III, O Céu, item 6, o Codificador cita que “Os Espíritos são criados simples e ignorantes, mas dotados de aptidões para tudo conhecerem e para progredirem, em virtude do seu livre-arbítrio. Pelo progresso adquirem novos conhecimentos, novas faculdades, novas percepções e, conseguintemente, novos gozos desconhecidos dos Espíritos inferiores; eles veem, ouvem, sentem, e compreendem o que os Espíritos atrasados não podem ver, sentir, ouvir ou compreender.”

Todos os Espíritos têm o mesmo meio adquirir o conhecimento (trabalho) e o mesmo fim almejado (perfeição).

A justiça divina se patenteia neste fato, pois “Deus não aquinhoou melhor a uns do que a outros, porquanto é justo e, justo serem todos seus filhos, não tem predileções. Ele lhes diz: eis a lei que deve constituir a vossa norma de conduta; ela só pode levar-vos ao fim; tudo que lhe for conforme é o bem; tudo o que lhe for contrário é o mal. Tendes inteira liberdade de observar ou infringir esta lei, e assim sereis os árbitros da vossa própria sorte.”

Corroborando este pensamento, o Codificador explica na obra "A Gênese", capítulo XI, item 7, que: “O que Deus permite que seus mensageiros lhe digam e o que, aliás, o próprio homem pode deduzir do princípio da soberana justiça, atributo essencial da Divindade, é que todos procedem do mesmo ponto de partida; que todos são criados simples e ignorantes, com igual aptidão para progredir pelas suas atividades individuais; que todos atingirão o grau máximo da perfeição com seus esforços pessoais; que todos, sendo filhos do mesmo Pai, são objeto de igual solicitude; que nenhum há mais favorecido ou melhor dotado do que os outros, nem dispensado do trabalho imposto aos demais para atingirem a meta”.


Poder-se-ia pensar que há queda moral para o Espírito que escolhesse o caminho do mal. Kardec, em comentário da "Revista Espírita" de Junho de 1863, considera que: “Não há queda senão na passagem de um estado relativamente bom a um estado pior; ora, o Espírito criado simples e ignorante está, em sua origem, num estado de nulidade moral e intelectual, como a criança que acaba de nascer; se não fez o mal, não fez, não mais, o bem; não é nem feliz nem infeliz; age sem consciência e sem responsabilidade; uma vez que nada tem, nada pode perder, e não pode, não mais, retrogradar; sua responsabilidade não começa senão do momento em que se desenvolve nele o livre arbítrio; seu estado primitivo não é, pois, um estado de inocência inteligente e racional; por conseqüência, o mal que faz mais tarde infringindo as leis de Deus, abusando das faculdades que lhes foram dadas, não é um retorno do bem ao mal, mas a conseqüência do mau caminho em que se empenhou.”


Veja também a continuação desse estudo, na postagem “Simples e Ignorantes (2)”, bem como as postagens “Por que Deus criou a nós e o Universo?” e “O Bem e o Mal”, neste blog. A respeito do tema missões, leia também a postagem “Espíritos missionários”.

Bons estudos!
Carla e Hendrio

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